9.25.2008

Lembrança de velhos


Que o tempo passa muito rápido, não há dúvida, acho até que estou me tornando uma chata no assunto, tamanha a inquietação em “não ter tempo pra nada”. Passamos dias e até meses sem perceber a nova ruga adquirida no rosto, o convencionismo de que “sempre foi assim” e então é melhor não arriscar, a apatia diante de alguns assuntos... Enfim, levamos um susto ao olhar para o calendário e perceber que, por falta de tempo, nem a paginazinhas foram viradas. Nesse momento temos, então, a nítida noção de quantos dias passaram e quantos ainda faltam até o “ano novo”. Um pouco de susto, um pouco de medo são naturais neste instante, mas continuamos.
Por falar em tempo, que idade você tem? 14, 19, 21, 28, 33? Nenhuma das datas apresentadas? É, não ando muito bem no “chute”. Mas, te pergunto a idade para questionar qual a imagem que você tem de “velhos”? Cabelos brancos, memória fraca, sabedoria, bons conselhos, pensamentos antiquados? Como você percebe pessoas velhas? Provavelmente tenha uma distinção de alguém com 25 anos, por exemplo. Mas o que é?!!
A palavra velho simboliza, dentre tantas outras coisas, uma pessoa que viveu muito e que tem história para contar (seja ela atrativa, ou não). Estas histórias são narradas ao redor do fogão à lenha, em uma noite que a TV, o rádio e o computador são esquecidos, ou em um dia com a família reunida. Mas, histórias assim também podem ser contadas em livros. Tudo bem, não terá o mesmo calor que emana do fogo, mas a intensidade com que é narrada se assemelha, e muito, às histórias da “vovó”. Um exemplo: “Lembranças de Velhos”, de José Luiz Zambiasi. A obra traz cinco histórias distintas de imigrantes descendentes de italianos, oriundos do Rio Grande do Sul, com destino ao Oeste Catarinense com intuito único de construírem as suas trajetórias de vida.
O livro apresenta de maneira simples um pouco da história de luta, coragem e força desta gente e se diferencia de tantos outros que tratam do período colonizatório da região através dos depoimentos destes “velhos”. Com eles a história ganha vida, cor, forma e deixa de ser apenas um período no passado. Com os depoimentos, o autor os deixa ativo nos relatos e nos faz pensar na memória que temos e nas histórias que um dia vamos contar. Se é que temos alguma, afinal o tempo passou tão rápido que, por vezes, fazemos apenas aquilo que somos “obrigados”, sem tempo pra historinhas. Talvez, foi pensando nisso, e chutando melhor do que eu, que o autor coloca que nos situamos, cotidianamente, entre o ato de lembrar e o ato de esquecer. Entre versões oficiais de nossa vida e o nosso desejo de como ela deveria ser. Entre o que fizemos, o que pretendíamos ter feito e o que continuamos a fazer. É entre tudo isso que está a nossa vida, marcada por situações bizarras, cômicas, trágicas e normais, que podem até (imaginem só!) virar uma história no futuro.

Boa leitura!

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