8.27.2008

Coisas da vida


Os dias passam de pressa. Não nos questionam sobre quantas coisas queremos e precisamos fazer. Eles têm exatamente 24 horas. E temos 24 horas para trabalhar, dormir, comer, ser simpática, bem humorada, relaxar, ler um livro, estudar, dançar, namorar, viajar, conversar com os amigos, tomar um chimarrão (um café, ou uma cerveja), ir ao banco, pagar as contas, fazer outras e até ficar sem fazer nada. Ufa! Pouco tempo para tanta coisa... Então temos que escolher apenas algumas delas e deixar outras para as próximas 24 horas. E o que escolhemos? Primeiro as obrigações relacionadas a prazos, é claro, porque embora exista a máxima de que brasileiro deixa tudo para última hora, alguns, e não são poucos, mantém com firmeza os prazos estabelecidos por outros que também têm prazos a cumprir.
Voltando ao assunto, afinal o tempo urge, realizamos atividades que estejam relacionadas às obrigações diárias. Trabalhamos e continuamos com nossos afazeres. Nosso escape é o sono. Este sim pode ser reduzido para que outras coisas possam ser feitas. Reduzindo o sono, reduzimos também os sonhos, sejam eles profanos, delicados, imorais ou até mesmo desprezíveis. Reduzimos nossa capacidade de sonhar e nos permitimos cada vez menos a extrapolar e fugir das regras. Buscamos apenas o certo, em oposição do errado, sem perceber que existe todo o resto.
Neste “todo resto” estão as delícias, os abraços, beijos, carícias e uma infinidade de outros sentimentos. No entanto, é neste todo resto que estão as coisas que deixamos para outro dia. Torcemos, então, para esse dia realmente chegue e assim possamos voltar a sonhar, afinal, devaneios são agora luxo de quem consegue organizar o tempo e definir ele próprio a sua rotina, sem perder os prazos, nem os amigos e muito menos a namorada.
O tempo passou tão rápido que nem percebi que deveria apenas falar do livro que me levou a delírios como esse, em um dia que a pressa coordena minhas atitudes. E afinal, qual é o livro? Sim. “Coisas da vida”, um livro de crônicas de Martha Medeiros. Uma ótima pedida para quem deseja distrair e parar um pouco para pensar em coisas “fúteis”, como a nossa influência no cotidiano, ou vice-versa.

Boa leitura!

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